sábado, 27 de outubro de 2012

transporte


Se eu for a São Paulo
tenho que andar de metrô
- Linha reta sem janela de adeus.

Mas se fico,
ando de bicicleta em volta de seu umbigo
- Caio de vertigem e amor.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

desenho


como subornei meu Peter Pan interior a crescer: aula de desenho. Fiz esse esquilo no papel canson, e tive como modelo uma fotografia de um bichinho de verdade, por isso o traço realista. Buda ficaria orgulhoso, demorei horas pra fazê-lo, p a c i e n t e m e n t e.

agora, to estudando as figuras humanas. quando terminar meu desenho, mostro aqui.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

íris


para sim
para não,
eis que nossos olhos se confundiram:

abro os olhos
com os cílios que piscaram pra mim.

acaso


Passo o dia a costurar seus olhos
para não me encontrar,
mas arrumo os cabelos
em caso de desfazer o nó.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

27

demorei 27 anos pra entender Kant.
talvez, se fosse Janis Joplin,
morreria antes.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

geografia

Gosto da cidade do meu pai
porque a igreja fica de frente pro rio.

(a igreja fica de costas pro povo
  que morre afogado na igreja
  que morre afogado no rio).

in utero

genesiar Tua culpa
me matura a alma.

Flores no cio

Rosas vermelhas,
perfume venal.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

pós-modernidade

não há poesia na folha da árvore
que já não tenha pegado metrô.

teoria da involução


Pagou umas cervejas a ela, como se soubesse com quem lidava. Olhos pequenos cairiam rápido, pensou ele. Mas o couro da moça era atabaque, e no terceiro casco ele desceu do salto antes que ela pudesse sorrir. Ela, então, perguntou-lhe como ia embora para casa. Ele mostrou as chaves do carro, e a moça ofereceu carona, afinal, ainda conseguia fazer não só o quatro, mas todos os seus múltiplos com as pernas, enquanto o homem estava em dúvida se era bípede ou quadrúpede. Ele olhou os olhos castanhos da moça e entendeu que podia lhe entregar chaves, documentos e tudo o mais que ela tivesse condições de carregar. Ela só tinha condições de levar o carro e os documentos, pois o cara era muito pesado para ela. Ele entendeu, e criou-se então um acordo tácito: mão nos cabelos para agradecer-lhe o carinho, e ele a abanar o rabo, num “obrigado por roubar meu carro, dona”. Ficou ali, com as quatro patas no chão, até conseguir ser homem novamente.