Pagou umas cervejas a ela, como se soubesse
com quem lidava. Olhos pequenos cairiam rápido, pensou ele. Mas o couro da moça
era atabaque, e no terceiro casco ele desceu do salto antes que ela pudesse
sorrir. Ela, então, perguntou-lhe como ia embora para casa. Ele mostrou as
chaves do carro, e a moça ofereceu carona, afinal, ainda conseguia fazer não só
o quatro, mas todos os seus múltiplos com as pernas, enquanto o homem estava em
dúvida se era bípede ou quadrúpede. Ele olhou os olhos castanhos da moça e
entendeu que podia lhe entregar chaves, documentos e tudo o mais que ela
tivesse condições de carregar. Ela só tinha condições de levar o carro e os
documentos, pois o cara era muito pesado para ela. Ele entendeu, e criou-se
então um acordo tácito: mão nos cabelos para agradecer-lhe o carinho, e ele a
abanar o rabo, num “obrigado por roubar meu carro, dona”. Ficou ali, com as
quatro patas no chão, até conseguir ser homem novamente.
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