terça-feira, 16 de outubro de 2012

teoria da involução


Pagou umas cervejas a ela, como se soubesse com quem lidava. Olhos pequenos cairiam rápido, pensou ele. Mas o couro da moça era atabaque, e no terceiro casco ele desceu do salto antes que ela pudesse sorrir. Ela, então, perguntou-lhe como ia embora para casa. Ele mostrou as chaves do carro, e a moça ofereceu carona, afinal, ainda conseguia fazer não só o quatro, mas todos os seus múltiplos com as pernas, enquanto o homem estava em dúvida se era bípede ou quadrúpede. Ele olhou os olhos castanhos da moça e entendeu que podia lhe entregar chaves, documentos e tudo o mais que ela tivesse condições de carregar. Ela só tinha condições de levar o carro e os documentos, pois o cara era muito pesado para ela. Ele entendeu, e criou-se então um acordo tácito: mão nos cabelos para agradecer-lhe o carinho, e ele a abanar o rabo, num “obrigado por roubar meu carro, dona”. Ficou ali, com as quatro patas no chão, até conseguir ser homem novamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário